Aplicativo para Escritório de Advocacia: o Que Precisa Ter, Como Funciona e Quanto Custa
Área do cliente, processos, documentos e aviso de audiência: o que um app jurídico precisa ter, como integrar os andamentos dos tribunais, as regras da OAB e da LGPD e o que muda no orçamento.
· 9 min de leitura · Guias
Para que serve um aplicativo de escritório de advocacia
A pergunta que mais ocupa a equipe de um escritório não é jurídica: é "doutor, saiu alguma coisa no meu processo?". Ela chega pelo WhatsApp do advogado, a qualquer hora, e cada resposta exige parar o que se está fazendo para consultar o andamento.
Um aplicativo com área do cliente resolve essa parte. O cliente entra com a própria conta, vê os processos dele, lê a última movimentação explicada em linguagem simples e é avisado por notificação quando o caso anda. O escritório ganha tempo e o cliente ganha transparência.
O que o app precisa ter na primeira versão
Nos aplicativos jurídicos que publicamos, a primeira versão se concentra no que reduz atendimento. O resto entra depois, com o app já em uso.
Login do cliente com CPF e senha
Lista de processos com área, número e situação
Movimentações em linha do tempo, com explicação do advogado
Envio de documentos por foto ou PDF, com o que está pendente à vista
Mensagens com a equipe, registradas no processo
Agenda de audiências e perícias com lembrete automático
Painel do escritório para vincular clientes, revisar e publicar
Conteúdo institucional: áreas de atuação, equipe com OAB e notícias
Existem dois caminhos. O mais simples é a equipe lançar ou importar a movimentação no painel. O outro é buscar os andamentos automaticamente pelo número do processo.
O CNJ mantém a API Pública do DataJud, que dá acesso a metadados e movimentações dos processos dos tribunais brasileiros a partir do número único. A consulta usa uma chave pública fornecida pelo próprio CNJ, que pode ser trocada a qualquer momento. Ela não traz processos em segredo de justiça nem dados das partes.
Para publicações do Diário Oficial e captura mais detalhada, existem serviços de monitoramento pagos que podem ser integrados numa segunda fase. Em qualquer caso, recomendamos que o andamento passe pelo advogado antes de chegar ao cliente: o termo técnico cru gera mais dúvida, não menos.
O que a OAB permite no aplicativo
O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB trata da publicidade na advocacia. Ele exige que a publicidade tenha caráter meramente informativo e veda a captação de clientela, a mercantilização da profissão, a referência a valores de honorários como forma de captação e o uso de expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação.
Na prática, o aplicativo funciona como canal de atendimento para quem já é cliente, com conteúdo institucional sóbrio. Nada de chamadas de venda, preço de honorários ou números de sucesso que o escritório não possa comprovar.
LGPD e segurança dos dados do cliente
Cada cliente vê só os próprios processos e documentos
A equipe acessa por perfil, e as ações ficam registradas
Documentos ficam em armazenamento privado, nunca em link público
Dados de saúde, comuns no previdenciário, são dados pessoais sensíveis
O cliente pode excluir a conta pelo próprio aplicativo
Aplicativos jurídicos que já publicamos
O Daniel Mello Advocacia, escritório full service com mais de 18 anos e presença em 16 estados, tem área do cliente com processos, envio de documentos por categoria, mensagens e a equipe com o número da OAB de cada advogado.
A ALP Advocacia, do Maranhão, atua em direitos sociais, sindical e previdenciário. O app tem cadastro com CPF, acompanhamento de processos, notificações de prazos e audiências e central de documentos.
O Henrique Teixeira Advogados Associados, com mais de 30 anos e foco em servidores públicos e professores, reúne área do cliente, consulta de processos, documentos e canal de atendimento.
O valor depende de poucos fatores: quantos clientes e processos ativos, se os andamentos são lançados no painel ou capturados automaticamente, integração com o software jurídico que o escritório já usa, e se entram financeiro e assinatura eletrônica.
Uma primeira versão com área do cliente e painel costuma levar de 60 a 90 dias, incluindo a publicação nas lojas no nome do escritório.
Módulo
Primeira versão
Fase 2
Área do cliente com processos e documentos
Sim
—
Mensagens e agenda com lembrete
Sim
—
Andamentos pelo número do processo
Lançados ou importados
Captura automática
Financeiro de honorários
—
Boletos e PIX
Assinatura eletrônica
—
Procuração e contrato
Erros comuns
Mostrar o andamento técnico sem explicação
Publicar movimentação sem revisão do advogado
Lançar o app vazio, sem carga inicial dos processos e convite aos clientes
Usar o app como vitrine de venda, contra as regras da OAB
Tentar trocar o software jurídico pelo app, em vez de integrar
O que um aplicativo para escritório de advocacia precisa ter?
Área do cliente com login, lista de processos, movimentações explicadas, envio de documentos, mensagens com a equipe e aviso de audiência. Do lado do escritório, um painel para vincular clientes, revisar e publicar.
O app consegue puxar os andamentos dos processos?
Consegue, pela API Pública do DataJud, do CNJ, a partir do número do processo. Ela não inclui processos em segredo de justiça nem dados das partes. Publicações do Diário podem vir de serviços de monitoramento pagos.
Aplicativo de advogado pode fazer propaganda?
O Provimento 205/2021 da OAB exige publicidade de caráter informativo e veda captação de clientela e mercantilização. O app deve ser canal de atendimento e informação, sem chamadas de venda.
Quanto tempo leva para desenvolver um app jurídico?
Uma primeira versão com área do cliente e painel costuma levar de 60 a 90 dias, incluindo a publicação nas lojas.
O app substitui o software jurídico do escritório?
Não precisa. Ele é a ponta que o cliente vê e pode receber dados do software de gestão por integração, quando o software oferece API.