Um app de delivery custa de R$ 2 mil a R$ 15 mil, dependendo do projeto — e a diferença quase nunca está no design. Veja o que pesa em cada funcionalidade, o que o rastreamento em tempo real acrescenta à conta e como fica o custo em 3 anos comparado às comissões do marketplace.
· 9 min de leitura · Custos
Um aplicativo de delivery não tem preço único porque “delivery” não é uma funcionalidade — é um conjunto delas. Um app que mostra o cardápio e envia o pedido pelo WhatsApp e um app com pagamento no aplicativo, área do entregador e rastreamento no mapa são projetos bem diferentes, e é isso que move o orçamento dentro da faixa.
A conta fica mais honesta quando você para de perguntar “quanto custa um app de delivery” e passa a perguntar “o que cada coisa que eu preciso acrescenta ao projeto”. A tabela abaixo mostra o peso de cada funcionalidade no orçamento e no prazo — é assim que você consegue comparar propostas de verdade.
| Funcionalidade | O que entrega | Peso no orçamento | Prazo adicional |
|---|---|---|---|
| Cardápio digital + pedido no WhatsApp | Catálogo, carrinho e envio do pedido para o WhatsApp da loja | Base do projeto | 30–40 dias |
| Cadastro de cliente e histórico | Área logada, endereços salvos, repetir pedido | Baixo | +10–15 dias |
| Pagamento no app (Pix e cartão) | Checkout com gateway, split e confirmação automática | Médio | +15–25 dias |
| Painel do lojista | Receber, aceitar e despachar pedidos; gestão de cardápio | Médio | +15–20 dias |
| Área do entregador | App ou tela para aceitar rotas e dar baixa na entrega | Médio | +15–25 dias |
| Rastreamento em tempo real | Posição do entregador no mapa para o cliente | Alto | +20–30 dias |
| Fidelidade e cupons | Pontos, cupons, push de recompra | Baixo | +10–15 dias |
É a funcionalidade que os clientes mais pedem e a que mais gente subestima no orçamento. Mostrar um pinzinho andando no mapa parece simples porque o iFood normalizou a experiência — mas por trás dela existe uma infraestrutura que roda o tempo todo, e infraestrutura que roda o tempo todo custa dinheiro todo mês, não só uma vez.
Vale a pena entender o que você está comprando antes de decidir se precisa disso na primeira versão.
Dentro da faixa de R$ 2 mil a R$ 15 mil, o rastreamento em tempo real é o que mais empurra um projeto para o topo — e pelos quatro motivos abaixo, todos ligados a infraestrutura que roda continuamente, não a horas de tela.
Não basta pegar a localização quando o app está aberto. O entregador dirige com o celular no bolso ou no suporte, com a tela apagada — e o app precisa continuar enviando a posição. Isso exige rastreamento em segundo plano, que Android e iOS tratam como recurso sensível: pede permissão explícita, consome bateria e tem regras próprias de aprovação nas lojas.
A posição do entregador precisa chegar ao cliente em segundos. Isso não é uma consulta comum ao servidor: exige conexão persistente (WebSocket ou serviço de tempo real) mantida aberta enquanto a entrega acontece. É uma peça de infraestrutura a mais para construir, monitorar e pagar.
Exibir o mapa, calcular a rota e estimar o tempo de chegada normalmente usa uma API paga (Google Maps ou equivalente), cobrada por requisição. Numa operação pequena o custo é baixo; conforme o volume cresce, vira uma linha fixa no orçamento mensal. Esse valor não aparece no preço de desenvolvimento — mas aparece na sua fatura.
Rastreamento não se testa direito na mesa. É preciso validar em movimento, com sinal ruim, túnel, celular na sombra e bateria em economia de energia. Esse tempo de teste em campo é real e entra no prazo.
Na maioria das operações que atendemos, a resposta honesta é: ainda não. Rastreamento resolve um problema específico — o cliente ansioso perguntando “cadê meu pedido?” — e existe uma forma muito mais barata de resolver isso.
É aqui que a decisão realmente acontece. O marketplace tem custo inicial zero e cobra comissão sobre cada pedido; o app próprio tem custo inicial alto e comissão zero. O ponto de virada depende do seu faturamento em delivery.
O exemplo abaixo usa uma operação que fatura R$ 40 mil por mês em delivery, com comissão de 23% no marketplace — e considera que o app próprio não substitui o marketplace no primeiro ano, mas captura a recompra da base que já é sua. O investimento usa o topo da faixa deste tipo de projeto, R$ 15 mil.
| Só marketplace | App próprio (captura 40% dos pedidos) | |
|---|---|---|
| Investimento inicial | R$ 0 | R$ 15 mil |
| Comissão paga por ano | R$ 110 mil | R$ 66 mil |
| Manutenção e infraestrutura por ano | R$ 0 | R$ 3 mil |
| Custo total em 3 anos | R$ 330 mil | R$ 222 mil |
| Dono da base de clientes | O marketplace | Você |
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